
O PASSARINHO DO FAROL
Guida Linhares
De repente ele chegou de mansinho
mas batia forte suas asas pequenas
parecia tão frágil este passarinho
quando perto de mim sacudiu as penas
Em meu semblante um sorriso surgiu
vendo esta criaturinha tão delicada
que fiquei imaginando de onde partiu
e passei a perseguir a sua revoada
E percebi que ao farol ele foi direto
quando me dei conta ja estava dentro
observando o interior muito de perto
encontrei a gaiola na mesa do centro
A portinha estava entreaberta recente
e num exame mais profundo vi sangue
sinal de que uma batalha persistente
deve tê-lo deixado por um tempo exangue
Contudo fortaleceu-se quem sabe talvez
pela ânsia de poder voar em liberdade
conhecer outros ares e cercanias de vez
buscando sempre a almejada felicidade
Santos/SP/Brasil
1º julho 2006

AS GAIVOTAS
Eugénio de Sá
Quantas vezes os frágeis passarinhos
Como esse que te tomou a atenção
Nos dão lições de ternura e carinhos
Foi o que se passou numa penedia
De brava costa em pedra alcantilada
Quando uma gaivota ferida e abandonada
Jazia quase morta em agonia
O seu par esvoaçava sobre a Fraga
Na aflição de a ver assim dorida
E não sabendo que rumo dar à vida
Voava em círculos se o vento a deixava
Encheram-se-me as forças de bravura
De um ânimo que eu próprio não explicava
E fui descendo a pulso aquela Fraga
Quase que num acesso de loucura
Cheguei à pobrezinha que parecia exalar
O último suspiro sobre a pedra fria
Erguia das asperezas da rocha bravia
E trouxe a pobrezinha ao alto patamar
E o seu companheiro ao ver morrer a amada
Piando de aflição à dor sentida
Foi baixando o seu voo já sem amor à vida
Esquecido dos instintos sem importar com nada
E as duas avezinhas ali ao pé de mim
Penderam as cabeças unidas na desdita
Uma morta pela luta com a fraga maldita
Outra a morrer de amor naquela dor ruim
Portugal - Julho de 2006


