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segunda-feira, 5 de abril de 2010


AO LONGO DA MURALHA...

Ao longo da muralha que habitamos
Há palavras de vida, há palavras de morte
Há palavras imensas, que esperam por nós
E outras frágeis,que deixaram de esperar
Há palavras acesas como barcos

E há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição
Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsenor
E há palavras noturnas, palavras gemidos

Palavras que nos sobem ilegíveis à boca
Palavras diamantes, palavras nunca escritas
Palavras impossíveis de escrever
Por não termos conosco cordas de violinos
Nem todo o sangue do mundo, nem todo o amplexo do ar

E os braços dos amantes escrevem muito alto
Muito além do azul onde oxidados morrem
Palavras maternais, só sombra, só soluço
só espasmos, só amor, só solidão desfeita
Entre nós e as palavras, os emparedados

E entre nós e as palavras, o nosso dever falar.

(Mário Cesariny)

Presente da amiga Reginna Moon via Orkut

3 comentários:

REGGINA MOON disse...

Guida,

Presente é estar aqui nesse seu lindo e tão importante espaço!!

Obrigada pelo carinho!

Um beijo,

Reggina Moon

Amapola disse...

Boa noite,amiga Guida.

Que poema lindo, profundo... doído!
Ah... Guida! Que bom estar aqui...

Um grande abraço.

Amapola disse...

Boa tarde, amiga Guida.
Passei para dar uma olhadinha na bela paisagem.

Um grande abraço.